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JORNALISMO AMADORISMO HIPNOTISMO

Rui Catalão

Aprender a olhar – olhos-nos-olhos – dos acontecimentos,
Construir histórias testemunhadas presencialmente, na primeira pessoa,
Responder a perguntas tão concretas como:
O quê, quem, quando, onde, como, porquê?


O espectáculo AMADORISMO HIPNOTISMO JORNALISMO resultará de uma oficina de trabalho, com participantes sem requisitos profissionais (não precisam de ser actores, nem jornalistas – esse será o processo de aprendizagem da oficina). Têm como tarefa sair à rua e sacar histórias: podem ser pequenos apontamentos, ou reportagens mais elaboradas; podem ser histórias que duram uma semana a ser construídas, ou episódios, anedotas, instantâneos “pescados” no dia-a-dia.

O elenco funcionará como uma redacção – e os participantes podem trabalhar sozinhos ou por equipas. Todas as ideias e materiais reunidos serão discutidos em grupo. Não haverá recolha de materiais com equipamento (câmaras, gravadores e apontamentos serão apenas tolerados como cábulas). O objectivo é aprender a observar, a seguir acontecimentos, a comunicar, e depois aprender a verbalizar as histórias – para que os “jornalistas-actores” possam, já em cena, contagiar o público com o testemunho do que observaram.

Alguns temas ou motivos são pré-definidos. Interessa saber até que ponto ainda pode ser notícia aquilo que já existe há tanto tempo, a ponto de ser ignorado. Interessa perceber o porquê de haver dinâmicas que estão a desaparecer: serviços, hábitos, comportamentos, objectos, edifícios, modos de vida, profissões...

Antes dos pormenores de uma história começarem a ser narrados, aquele que a conta, enquanto jornalista ou como actor, está já imbuído de um poder “hipnotizador” – assim o queira usar. O acto de ver é anterior à palavra, e a urgência de contar uma história da qual somos os portadores encontra-se já no olhar. Quanto ao “jornalismo”, não é apenas uma profissão, é também uma profissão de fé, através da qual vibra a comunidade de pessoas em que vivemos, e na qual elegemos as personagens e narrativas que fazem o seu coração bater. E “amadorismo” não se reporta apenas aos que trabalham enquanto não-profissionais, mas também a quem se dedica a algo porque ama aquilo que faz e reconhece no que faz uma importância superior a qualquer recompensa.

 

Direcção: Rui Catalão
Participantes: a definir nos encontros de trabalho.
Desenho de luz e operação: Cristóvão Cunha
Produção: [PI] Produções Independentes
Coprodução: TNDM II